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Entender-me penso que não é simples.
Sou aquela que ás vezes não quer saber de nada, não escuto e finjo que não vejo.
Tem gente de tudo que é tipo, e o meu tipo não é parecido com o de ninguém.
Muitas vezes vivo sem sentido, sem realidade.
Estou sempre sobrevivendo às minhas leves e inconseqüentes ações.
Na vida sempre subo de escadas, às vezes descalça, e sinto o gelo do mármore nos meus pés, então seguro firme no corrimão.
Subir tão alto me da vertigem e olhar para trás deixa-me cega.
Os erros? Quem foi que disse que se aprende com eles?
Tatuo desaforos e mágoas.
Se quiser lhe dou um braço e entro junto com você, dançaremos a valsa dos desafortunados.
Pronto! Mais alguns degraus e poderemos nos soltar livres e serenos.
Não sei evitar a covardia, e olha que sempre vou até o fundo.
Prefiro coração vazio à dor, mas pensando bem, coração vazio não inspira, não da calas frios, nem ciúmes, não cria ódio e não teme o abandono.
Já fiz alguns amores sofrer e no final pedi perdão.
Coração quebrado tem cura, a minha paz não aguarda mais a perfeição que não existe.
Agora larga minha mão e pode partir, lembre-se ou esqueça-se de mim.
Minhas ansiedades não são mais aquelas.
Vivo momentos meio excitada, meio cansada, esperando a campainha tocar anunciando mudanças, e ela toca, mas é só o carteiro entregando as contas do mês.
Nada de mudanças, as mudanças meu amor, estão nos dias das regras mensais.
Não! Não queiram que acredite que tudo que vivo será eterno, bom para todo sempre.
Não sei viver sempre igual, não posso sobreviver ao certo, não quero morrer de certezas; então vai se fuder e pare logo com esse lindo.
Escuto músicas altas,
Amorteço os erros,
Mudo de idéias,
Procuro encontrar,
E, quem sabe o porquê do quê?
É só a vida enchendo o saco com suas surpresas, e eu não entendo porra nenhuma de surpresas da vida.
A cada degrau sinto não ser a mesma, e embora carregue nas costas alguns pesos, sou e estou cada vez melhor.
E quando chegar ao topo quero conversar com os poetas mortos, contar meus sonhos, meus versos, meus textos, e então eles me responderão:
-“Que fantasia sua doida crente! Nós também tivemos ilusões, como ninguém, e tudo morreu! ...”

27 Comente Aqui:

É o texto mais lindo que já li por estas bloguesferas.

P
E
R
F
E
I
T
O

"Não sei viver sempre igual, não posso sobreviver ao certo, não quero morrer de certezas; então vai se fuder e pare logo com esse lindo."

Bjs

Mas, afinal, pra que evitar essa loucura? Essa sempre-metamorfose é a mágica de todas as nossas coisas. E se, no fim de tudo, não chegarmos a nada, ao menos seguiremos com estilo.
Tudo se cura, tudo e nada, porque nada chega ao fim, apenas muda de fase. Não podemos fugir à essa máxima, nem devemos: esse é o nosso charme camaleão.
Mantenha suas fantasias, por loucas que sejam, moça. Elas nunca morrem, como se imagina.

"Agora larga minha mão e pode partir, lembre-se ou esqueça-se de mim."...foi mais ou menos isso o que eu disse na sexta-feira, não sei se fiz bem ou se fiz mal...ainda precisa passar mais tempo para eu saber...tudo que você escreveu parece que saiu de dentro de mim...lindo, perfeito..se você me autorizar, via orkut, hoje mesmo, faço circular como recado em massa para os meus amigos...mas vc tem que assinar...talento assim não se esconde...brilhante o texto.Vou colocar no meu blog e na minha página do Multiply, mas preciso antes da sua autorização...beijos, você já está pronta.

Denise Miranda

Puxa minha escritora preferida, é muito talento escondido para este mundo.
MARAVILHOSO!MARAVILHOSA!

me identifiquei bastante com o texto...
beijos

é engraçado que no primeiro e no segundo, vc começa poética e delicada, pra no fim abrir o verbo e subir mais alto, um ou dois tons mais altos...
lindo...

beijo

-“Que fantasia sua doida crente! Nós também tivemos ilusões, como ninguém, e tudo morreu! ...”
É a parte que mais me fala a alma e, para minha surpresa, vejo uma "Bianca-Stael" eu resvala pela essência poética e enfrenta as arestas da vida com desafio e coragem.
Diferente da Stael pela coragem. Repete Stael na crença de que o poético vive e convive com a aspereza do cotidiano.
Só uma definição para esse texto: sublime!

Não podia deixar de passar por aqui para conhecer o blog. Muito bom os textos e o visual.
abraço

Não podia deixar de passar por aqui para conhecer o blog. Muito bom os textos e o visual.
abraço

Lindo texto...
É a primeira vez que a leio, e você me fez ficar aqui matutando suas palavras.
Maravilhoso....

que bom bianca que vc gosta dos meus argumentos...bom saber que sou lido por pessoas de bom gosto como vc ... aliás hj, fuçando aqui no seu cantinho, descobri que além de gostar de leminski, clarice e do seu conterrâneo Caio ( que foi meu amigo ) vc curte o Casares que é tão pouco conhecido entre nosotros brasileiros... Saramago também é tudo de bom... andas muito bem acompanhada... assim vai escrever cada vez melhor...afinal somos o que lemos, vivemos, viajamos...óbvio ... beijos

Este comentário foi removido pelo autor.

Que obra linda, transalpina, sublime...orgástico

Como um vulcão em erupção, explosão de idéias, palavras sensações em larva,
Sentimentos se alteram,(de pólo pólo) nossas mais reais contradições,cotidiano de conflitos pessoais entre a dança dos Deuses e calderão do Diabo...Não sei viver sempre igual, não posso sobreviver ao certo, não quero morrer de certezas; então vai se fuder e pare logo com esse lindo...

Maravilhoso! Estamos todos na expectatitiva do Livro...

Tu és uma caixa de supresas com seus textos.
Este é forte e impactante.
Vontade de ler uma continuação dele.Pense nisso!

que bonito, flor!
adorei!

um beijo

Essas horas de agonia, essas horas de agonia! Existem pensamentos e sentimentos que não desatam né? Apertam-se uns aos outros cada vez mais e não saem nunca de onde devem. A gente precisa sempre achar um terceiro eu para resgatá-los, antes que se esqueçam... Acho que é a quarta vez que entro aqui pra ler o "N.A.D.A.". Cada vez que leio, oncontrolavelmente, vou pra algum passado pessoal diferente, grito com outras lembranças, e me sinto ironizado por outros poetas. "Não sei viver sempre igual, não posso sobreviver ao certo, não quero morrer de certezas"

Como se cura isso? Tem cura? É pra sempre ser assim? Quem socorre a gente? ... eu às vezes gosto de comentar os posts falando o que eu senti quando li, e etc... mas nesse aqui, é isso... cada vez vou pra uma história diferente, uns pensamentos diferentes disparam.... aos pouquinhos, quando as coisas se comportarem mais, conto o que lhe é de direito, já que você ajudou a dar uma remoída nesses eus escondidos... Parabéns! Escreva sempre mais! Viva sempre mais! E... (tá, não vou recomendar nada mais pra você fazer "sempre mais" se não vai ficar parecendo musiquinha barata isso aqui...) Beijooos!

Depois das cinzas desta quarta-morta, eu revivo com a incandescência de teus matizes uivantes,
Quero romper a minha inspiração e ficar quieto,
Mas a flama que arde de teu verbo me incendeia, e me faz reagir...
Sinto que não posso desistir de sonhar, de entender aquilo que se perde no instante que me perco em tuas palavras.
Tento. Busco. Faço. Mas não faço como você, ilusão rota que esgarça minha alma com essa tua verve que não se limita ao traço.

Obrigado, minha querida. Sua poesia me inspira. E eu só escrevo aqui porque você disse que A-DO-RA quando escrevo.
Um beijo.

Maravilhoso texto confessional, Bianca! Todos já disseram muito do que queria dizer. Vou só citar a frase que gostei mais:
"Os erros? Quem foi que disse que se aprende com eles?"
Também acho que nunca aprendemos muito com eles, exceto a nos prepararmos para os solavancos.
Beijão, escritora linda e doce, amiga.

pessoas são muito complexas, né? Um texto autoanalítico extenso e aposto que você não eu conta de se definir por inteiro!

Mas deu pra gente entender um pouco do que se passa nessa pessoa, ainda que amanhã, quando estiver em outro degrau, quiçá em outra escada, já seja uma pessoa diferente.

Beijo!

ps - gostei muito das novas fotos do orkut.

josiane moreira disse... 7 de fevereiro de 2008 13:16  

tu estas de elevador a muito tempo e nem percebeu.
De qualquer forma, é texto com vida e perfeito como todos, todos!
Sou tua fã, tu sabes!

Bjxx

Além de si, não espere nada de ninguém. Já dizia um provérbio grego: a expectativa é a mãe da frustração. Texto belamente cáustico, tão aliviante quanto uma regurgitação que estava presa pelo temor da reprovação alheia da autêntica exposição.
Siga o coração que nunca se deseja vazio, pule no abismo, o céu é logo ali, após o inferno. Continue escrevendo e renascendo.
Beijos!

Nada
Dona fada
Pode haver mancada
Vida malfadada
Ou até mais um entifada
E ainda assim segue essa estrada
Tortuosa.. incerta
Peremptoriamente desregrada
Mas alto lá
Que sempre tem uns "normais"
Querendo governar a manada
Ditar os ditames da jornada
E a cor dos ladrilhos
Enquanto descansam na sacada
Estejas preparada
Pois sei que és profana
De tão sagrada
E nessa nossa empreitada
Desistir não tem vez
Mesmo se desistes outra vez
Sempre tem razão o tal do freguês
E a Terra não para de girar
Portanto, de nada adianta ficar
Melhor seguir.. sereno ir..
Se preciso.. suspirar
E seguir em frente
Nadando contra a corrente
Remando contra a maré
Não acredite em nada
E até duvide da fé
Desfinque o pé
E abra as asas
Lhe atiçará as brasas
Enquanto ganha os ares
Vislumbra os mares
Ah, mares
Podem ser como lares
Ou como hotéis
Talvez cama de motéis
Talvez exista um
Talvez existam dez
Melhor inverter os papéis
Que ficar se nenhum
Melhor ser incomum
Ser mutante
Um tanto inebriante
E seguir vertendo sua poesia
Essa sua magia
O resto será adubo
De sua resplandecente cercania...

"Prefiro coração vazio à dor, mas pensando bem, coração vazio não inspira, não da calas frios, nem ciúmes, não cria ódio e não teme o abandono"

Simplesmente perfeito...

Beijos...

Humano....demasiado humano... alguém disse antes de si.

bela catarse!

www.fotolog.com/brunofritz

Oi, Bianca! Admito q fiquei uns dias sem pisar aqui, mas valeu a pena a visita! Bjs

Segura firme no corrimão..., que a subida está bonita...

Beijão,

Marcelo.

se já é difícil descrever algo, imagine quando nos aventuramos a falar de nós mesmos !!! vc fez isso com maestria, moça... como só os grandes sabem fazer.

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